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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As faces de Scarface



A análise dos filmes de gângsteres Scarface - A vergonha de uma nação e Scarface, com base no modelo da Jornada do Herói (Christopher Vogler), mostra que, em termos de estrutura narrativa, as obras guardam mais semelhanças do que diferenças entre si, o que confirma o processo de remake realizado pelo diretor Brian de Palma, em 1983. Por outro lado, as particularidades se referem especialmente ao uso de alguns recursos técnicos, perfil dos personagens e abordagem da criminalidade, fatores que podem ser explicados, em grande parte, pela própria diferença de duração e de contexto histórico dos filmes. Scarface - A vergonha de uma nação é de 1932 e possui cerca de 1h30. Já Scarface, do ano de 1983, tem duração aproximada de 2h50. Enquanto o primeiro trata da criminalidade durante a Lei Seca nos Estados Unidos da década de 1920, este destaca o tráfico de drogas nos anos de 1980 tendo como cenário o território estadunidense no período da Guerra Fria.

Em termos de estrutura narrativa, as fases da jornada do herói se apresentam de forma semelhante nas duas histórias, com conteúdos, ordenamento e transições similares. As exceções são a etapa do Encontro com o Mentor que, em 1932, diferentemente da versão de Palma, ocorre antes do Chamado à Aventura, e a própria fase do Chamado. Enquanto este momento se mostra bem marcado na versão de 1983, com o convite feito a Toni Montana para a arriscada negociação com os colombianos, no original essa etapa se mostra mais superficial, não específica. Isso, pois o convite feito por Lovo a Toni Camonte para negociar com os dissidentes da gangue sul acontece no momento em que o gângster já se encontra melhor inserido na aventura, praticamente no mundo especial.

No que diz respeito à duração das fases narrativas, os contrastes devem-se à própria diferença de duração dos filmes, como já citado. Nesse sentido, as diferenças implicam, naturalmente, no uso distinto do tempo para enfatizar determinadas etapas da história ou aprofundar-se na condução de certos personagens. Assim, por exemplo, o estágio referente ao Caminho de Volta desenvolve-se de forma mais duradoura e com mais implicações dramáticas na versão de 1983, assemelhando-se a uma nova fase de Testes, Aliados e Inimigos. Já na versão de Hawks, essa etapa se desenvolve de forma mais rápida, funcionando como uma breve transição entre a Recompensa e a Ressurreição. Ainda no que diz respeito aos personagens, Manny e Elvira de Scarface, por exemplo, detêm mais ações na narrativa e desenvolvem mais aspectos de sua personalidade do que Guido e Poppy na produção de Hawks.

Em termos de recursos técnicos, ambas as produções seguem uma narrativa clássica, com montagem predominantemente linear e câmera objetiva que tem o protagonista como foco na maior parte do tempo. Há o uso estratégico de primeiro plano e close para dar destaque às expressões e reações dos personagens em momentos de tensão e suspense. Enquanto no preto e branco de Hawks os elementos da morte, violência e criminalidade são especialmente representados por recursos de iluminação, com o jogo de luzes e sombras em ambientes internos e noturnos, na produção de 1983 são as cores fortes, como o preto e o vermelho, que adquirem um valor simbólico associado à temática dos gângsteres. O registro excessivo e realista do sangue em Scarface, por exemplo, dá lugar a uma apresentação menos gráfica das feridas em 1932, com planos mais afastados em situações violentas. Talvez de forma a suavizar a agressividade das cenas e atender aos padrões da censura cinematográfica. Ainda, se na obra original a trilha sonora musical é praticamente descartada, sendo substituída por efeitos sonoros de tiros, metralhadoras, movimentos de carros e assobios, no remake os recursos musicais são diversificados para representar as diferentes etapas narrativas e também a condição íntima dos personagens.

Com respeito aos gângsteres, personagens centrais da análise, a vida pregressa apresenta-se de forma semelhante em ambos os filmes. Em Scarface - A vergonha de uma nação um crime ocorrido nas primeiras cenas já oferece indícios de criminalidade referentes à vida do protagonista. Em Scarface a narração inicial do cenário político entre Estados Unidos e Cuba também cria expectativas em relação ao refugiado imediatamente apresentado. Ainda que Tony Camonte e Tony Montana rebatam as acusações iniciais que lhes são feitas, tão logo a história avance os indícios tornam-se fatos e são estabelecidos a personalidade e anseios que os protagonistas irão assumir ao longo de toda a jornada.

Os personagens detêm aspectos físicos similares. Estrangeiros, possuem estatura semelhante, têm pele clara, cabelo, olhos escuros e uma cicatriz na face esquerda. Ambos falam muito e de forma articulada. Em termos psicológicos, são irônicos, destemidos, ambiciosos, violentos, frios e determinados. Compreendem-se autossuficientes e capazes de vencer sem a ajuda de outros. Têm um relacionamento conflituoso com a família, principalmente pelo ciúme excessivo que sentem da irmã. No campo afetivo, também não enfrentam relações satisfatórias. No romance mantêm uniões instáveis e têm como amigo apenas um aliado que, ironicamente, irá sucumbir sob seu próprio jugo ao final. Como aspecto moral, ambos dão valor ao compromisso e à importância de se honrar a palavra, aspecto especialmente destacado em Tony Montana. E na mesma medida em que são traídos e confrontados, também buscam a vingança.

Apesar das semelhanças, alguns traços psicológicos, morais e de relacionamento definem importantes particularidades para cada anti-herói. Montana demonstra um nível de sensibilidade que é praticamente imperceptível no perfil de Camonte. Apesar de toda a truculência e destemor, Tony Montana revela um lado mais humano no trato com a família, apesar de não menos intenso, e demonstra preocupação com a vida de inocentes. Na maior parte das vezes mata em situações críticas, quando a ação mostra-se questão de defesa da honra ou da própria vida. Já Camonte, mais esquemático, demonstra uma frieza praticamente constante, com exceção do momento em que enfrenta a morte da irmã. Sarcástico ao extremo, o personagem parece se divertir diante dos riscos e, diferentemente de Montana, parece matar de forma antes despropositada, como impulsionado por prazer ou compulsão. Exemplo disso são os diversos assassinatos de membros da Zona Norte e o massacre de São Valentin. A morte dos adversários é vista pelo personagem como apenas mais uma etapa em sua busca pelo poder.



Ainda, a decadência do personagem em Scarface apresenta-se de forma mais explícita e gradual do ponto de vista físico, psicológico e moral. O vício nas bebidas e drogas, a obsessão pelo poder e riqueza, o ciúme pela irmã e os desentendimentos com Elvira e Manny, por exemplo, atribuem ao personagem uma demência gradativa que parece arrastá-lo irresistivelmente ao descontrole de si mesmo e à derrota diante do inimigo. Por outro lado, a narrativa de Hawks não destaca esses aspectos. Camonte alcança a etapa final mais íntegro físico e psicologicamente, demonstrando apenas ligeiro abalo pela morte de Guido. A sensação é de que o personagem enfrentou menos conflitos e foi afetado por estes de maneira mais superficial. Tony Montana revela-se assim um personagem mais complexo e paradoxal, o que o torna, consequentemente, mais interessante e imprevisível na narrativa e, finalmente, mais próximo à realidade do homem cotidiano.

A morte dos gângsteres, em ambos os casos, é a concretização do fracasso do anti-herói após a ascensão e o apogeu pela riqueza e prestígio. Tanto Tony Camonte quanto Tony Montana sucumbem diante do inimigo, quando são contemplados de maneira irônica pelos dizeres “O Mundo É Seu” em uma forma de coroamento trágico do mundo na criminalidade. Ao decorrer do enfrentamento com a polícia, a morte de Camonte guarda um tom moralizante que atende às exigências da censura na época do filme. O fim do criminoso pelas mãos das autoridades garante certa sensação de punição, ainda que tardia, e retorno ao equilíbrio, o que responde aos intertítulos introdutórios do filme com a indagação da sociedade pelo combate à marginalidade. 

Já a destruição de Montana assume aspectos contrários em termos de narrativa e moralidade. Do ponto de vista narrativo, a partir do momento em que Montana encara na etapa final um perigoso inimigo, com resistência e aparente equilíbrio de forças, a condução da fase da ressurreição gera mais imprevisibilidade e, assim, garante mais suspense. A longa sequência final na mansão de Montana, as vitórias e derrotas parciais do protagonista e o uso de montagem alternada são exemplos que contribuem para esse aspecto. Ainda, ao apresentar a derrota de um gângster pelas mãos de outro, a sensação ao final da narrativa é de impunidade, caos, negativismo. Em termos morais, a criminalidade não é combatida, apenas reforçada em um dos lados.

Apesar de todas essas variações entre os filmes, a causa primeira na morte dos gângsteres assemelha-se pela ironia. Ainda que marcados por uma vida de ilegalidade, tanto Tony Camonte quanto Tony Montana são vencidos por sombras que não representam os frutos diretos de tal criminalidade. Camonte é finalmente rendido pela polícia após sucumbir ao ciúme extremo pela irmã e assassinar o melhor amigo. Montana é fatalmente acuado pelos homens de Sosa após negar-se a matar inocentes, descontrolar-se pelo uso das drogas e fragilizar-se com o assassinato do melhor amigo. Assim, ciúme, violência, impulsividade, vício e fraqueza causam a queda dos anti-heróis. Resultado trágico de uma vida de excessos.

Em uma visão geral, a construção dos personagens em ambos os filmes confirma as características clássicas do gênero gângster. Os dois são personagens urbanos, estrangeiros nos Estados Unidos, com o desejo de mudarem de vida. Enfrentam as adversidades com a busca determinada pela riqueza e poder, estabelecem relações de poder e confiança, criam suas próprias leis e, após a recompensa conquistada no submundo, encontram um desfecho trágico. Também, Camonte e Montana mostram-se produtos do contexto social na medida em que se constroem em meio à inexistência de leis, corruptibilidade e ineficiência das autoridades públicas no combate à criminalidade. De forma conclusiva os personagens são, em essência, um reflexo do homem comum. Analisá-los é ampliar o entendimento do gângster em sua generalidade. Compreender o contexto em que se inserem é compreender a própria realidade capaz de resultar em tantos outros de mesmo perfil. 

Finalmente, como resultado da análise com base na Jornada do Herói, cabe destacar que tal modelo mostrou-se válido, ao atender generalidades da produção narrativa; prático, ao sugerir referências de análise; e eficiente, ao possibilitar uma compreensão ampla dos objetos propostos, tanto de forma isolada como comparativa. Da mesma forma, a consideração de conceitos sobre a linguagem cinematográfica e o personagem de ficção, a partir de outros autores, garantiu um exercício mais detalhado de percepção dos objetos, contribuindo para o resultado final.

A análise possibilitou não apenas compreender a construção do gângster em duas narrativas específicas, mas ampliou a visão geral do cinema enquanto linguagem ao demonstrar de forma sistemática sua capacidade de contar histórias, transmitir sentidos, construir e conduzir personagens. 

Por Rafaella Arruda
(Trecho adaptado a partir do trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) - Dez/2012. "A construção do gângster na narrativa cinematográfica: as faces de Scarface a partir da Jornada do Herói")

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Programa Cinema e Som - Laranja Mecânica

O clássico Laranja Mecânica, de 1971, dirigido por Stanley Kubrick, é uma adaptação do romance homônimo do escritor inglês Anthony Burgess, de 1962.

No filme, o personagem Alex, interpretado por Malcolm MacDowell, é líder de uma gangue de jovens que tem como diversão praticar a violência gratuita em uma Inglaterra futurista, mas sem época determinada. Obsceno, adepto de uma linguagem peculiar que mescla gírias e dialetos eslavos e apaixonado por música clássica, em especial Beethoven, Alex comete seus sadismos em meio a cantorias e agitação.

Numa destas investidas, após ser atacado, Alex é preso, sentenciado e submetido a um método clínico experimental conhecido como Ludovico, com a intenção de combater sua personalidade doentia e agressiva. O tratamento de choque, que tem como uma das estratégias exibir ao paciente imagens ininterruptas de sexo e violência, terá um efeito devastador na vida de Alex. Principalmente quando ele retornar às ruas e ao contato com a sociedade.

Indicado ao Oscar de melhor filme, diretor, roteiro adaptado e edição, Laranja Mecânica tornou-se uma obra prima do cinema e uma das referências do trabalho de Stanley Kubrick. O longa conquistou ainda as premiações de melhor filme e melhor direção pelo Prêmio de Críticos de Cinema de Nova York.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Programa Cinema e Som - A primeira noite de um homem

A Primeira Noite de um Homem, comédia romântica de 1967 protagonizada pelo então estreante Dustin Hoffman, trata da vida do jovem Benjamim Braddock que aos 21 anos retorna à casa dos pais após terminar a faculdade. Sentindo-se perdido entre desconhecidos e entre seus próprios sonhos, Ben Braddock inicia uma nova fase de sua vida em meio aos cuidados excessivos da família e à descoberta do amor.

Primeiro envolve-se com a esposa do amigo de seu pai, a experiente e sedutora Mrs. Robinson, vivida por Anne Brancroft. Um relacionamento aparentemente desejável por ambos, mas que acaba gerando problemas para o inocente Ben quando ele se apaixona pela filha da amante, a bela Elaine Robinson, interpretada por Katharine Ross. Inconformada com a aproximação entre os jovens, Mrs. Robinson tenta separá-los de diversas formas. Assim, caberá a Ben lutar por seu verdadeiro amor enfrentando todos os obstáculos, como a incompreensão dos pais e a resistência da própria amada.

A primeira noite de um homem é uma agradável comédia romântica que marcou a geração jovem da década de 1960 ao abordar temas como a descoberta da sexualidade e a figura da mulher moderna e independente, além de contar com canções da dupla norte americana Simon e Garfunkel que se tornariam grandes sucessos, como Sounds of Silence e Mrs. Robinson, tema homônimo da personagem de Anne Brancroft que se tornaria célebre na história do cinema. Premiado com o Oscar de melhor direção para Mike Nichols e melhor comédia pelo Globo de Ouro, dentre tantas outras conquistas, o filme também garantiu a Dustin Hoffman sua primeira indicação à Academia como melhor ator.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Programa Cinema e Som - A Doce Vida

A Doce Vida, clássico franco italiano do diretor Federico Fellini, passa-se em Roma e trata do jornalista de celebridades Marcello Rubini, personagem do italiano Marcello Mastroianni. Rubini é um jornalista que vive rodeado por colegas de profissão, belas mulheres e frequenta as mais diversas festas e badalações da rica e extravagante sociedade europeia. Em um de seus trabalhos conhece a bela e famosa atriz hollywoodiana Sylvia, personagem interpretada pela atriz sueca Anita Ekberg, por quem vive um de seus arrombos de paixão.

Uma das principais cenas do filme, em que durante a madrugada Sylvia se banha nas águas da Fontana de Trevi, assistida pelo fascinado jornalista, ficaria eternizada na história do cinema. Nos diferentes fragmentos de estória contidos em A Doce Vida, Rubini parece buscar um sentido para tudo, aparentemente insatisfeito com os relacionamentos vazios que mantêm com as amantes, os amigos e sua própria família. Por meio do jornalista, conhecemos a modernidade e sofisticação de Roma, mas também a arrogância e decadência de sua sociedade e a falta de limites de uma imprensa ávida por notícia, custe o que custar.

O drama A Doce Vida é considerado uma das referências da transição do neorrealismo italiano para um cinema mais simbólico, o que se tornaria uma das principais marcas do trabalho de Federico Fellini. O filme conquistou a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de melhor figurino em preto e branco, além de ter sido indicado à Academia aos prêmios de melhor direção, melhor roteiro original e melhor direção de arte, e ao BAFTA como melhor filme.

A trilha sonora do longa é composta pelo premiado músico italiano Nino Rota, que trabalhou com Fellini em diversas importantes produções como Abismo de um Sonho, de 1952, A Estrada da Vida, de 1954 e 8 ½ , de 1963. O músico foi responsável também pela trilha de outros clássicos como Romeu e Julieta, de Frank Zeffirelli, e O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão II, de Francis Ford Coppola.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Programa Cinema e Som - Amadeus

A produção norte americana Amadeus, de 1984, tem direção de Milos Forman e roteiro de Peter Shaffer adaptado a partir de sua própria peça teatral. Amadeus é uma estória de conflitos psicológicos ligada à conturbada biografia do gênio da música clássica Wolfgang Amadeus Mozart.

A vida e obra do músico austríaco são apresentadas ao público em flashblack, a partir da visão do compositor Antônio Salieri. Interpretado com brilhantismo por F. Murray Abraham, premiado pelo Oscar, Salieri é um homem de grande talento, que vê na música uma representação divina. Ao conhecer Mozart, personagem de Tom Hulce, Salieri passa a mesclar admiração e ódio, e a rever todos os seus conceitos. Descobre no jovem uma genialidade musical absurda, mas aliada a uma vida de desregramentos e promiscuidade. Inconformado, Salieri torna-se rival de Mozart e alimentado pela revolta e inveja envolve-se em uma trama sombria, capaz de destruir a vida de ambos.

Com figurino, maquiagem e direção de arte marcantes, o drama musical Amadeus é um retrato da sociedade européia do século XVIII, com seus hábitos e formalidades. O filme venceu 8 premiações no Oscar, entre elas melhor filme, melhor diretor, melhor direção de arte e melhor roteiro adaptado, além de mais quatro conquistas no Globo de Ouro.

A bela trilha sonora, largamente composta por Mozart, alterna trechos de óperas como Don Giovani, de 1787, O Rapto do Serralho, de 1782, sua última composição, de 1791, a missa fúnebre Réquiem em Ré Menor, e a Sinfonia nº 25 em sol menor, de 1773, trilha de abertura de Amadeus. Todas as canções interpretadas pela Academia Inglesa Saint Martin In The Fields. A trilha sonora do filme atingiu a posição 56 nas paradas da revista americana Billboard, tornando-se uma das mais populares gravações clássicas de todos os tempos.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Programa Cinema e Som - Apocalypse Now


Clássico norte-americano de 1979 com direção e produção de Francis Ford Coppola: Apocalypse Now, um retrato da Guerra do Vietnã, com todos os seus extremos. No filme, o conflito que durou cerca de 15 anos serve de cenário para uma perigosa missão secreta envolvendo o veterano do exército americano Capitão Willard, vivido por Martin Sheen.

Willard é designado pelo alto escalão das forças militares a partir para o Camboja em um barco patrulha, na companhia de mais quatro soldados. Lá chegando, deve encontrar e matar o ex-oficial das forças especiais americanas, Coronel Walter Kurtz. Kurtz, personagem de Marlon Brando, é considerado um militar renegado, rebelde e insano que passou a viver no interior de uma tribo no país asiático e a liderar os nativos como um verdadeiro Deus, incentivando adoração e rituais de morte.

Enquanto sobe o rio em direção ao Camboja e examina inúmeros documentos a respeito de Kurtz, Willard e seus soldados presenciam e enfrentam os horrores da guerra. Conhecem o destemido Coronel Bill Killgore, interpretado por Robert Duvall, e seus cruéis métodos de guerra. É dele a ordem para o bombardeio aéreo de napalm em uma aldeia de vietconges. Em uma cena de arrepiar, embalada pela ópera Cavalgada das Valquírias, que ouvimos ao fundo, presenciamos a tentativa de fuga e morte de dezenas de nativos sob o ataque da substância mortal acompanhada da emblemática frase do Coronel: “Adoro o cheiro de napalm pela manhã. Tem cheiro de vitória."

Willard acompanha ainda a perda de sanidade de um dos companheiro e a morte de tantos outros. Assim, vivencia os absurdos da guerra muito antes de alcançar o alvo, o que talvez possa lhe garantir a força e coragem necessárias para cumprir a tão temida e aguardada missão.

Com roteiro de Coppola e John Millus, baseado no romance Heart of Darkness de Joseph Conrad, Apocalypse Now acumula premiações e indicações. Entre as mais aclamadas, o Oscar de melhor fotografia e som, a Palma de Ouro em Cannes, e o Globo de Ouro de melhor direção, ator coadjuvante para Robert Duvall e roteiro adaptado. Considerado pelo crítico Roger Ebert como um dos melhores filmes de guerra já realizados e escolhido pelo American Film Institute como o 30º melhor filme de todos os tempos, Apocalypse Now foi todo gravado nas Filipinas, no período de 16 meses. No ano de 2001, o filme foi lançado em uma segunda versão, com o nome Apocalypse Now Redux, e ganhou mais 60 minutos de projeção.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Programa Cinema e Som - Acossado

Acossado, produção francesa de 1960 e longa metragem de estreia do cineasta Jean Luc Goddard. O filme é um dos expoentes da nouvelle vague, movimento da década de 1960 que inovou a forma de se fazer cinema em contraponto à tradição cinematográfica hollywoodiana e da própria França.

Filmado em preto e branco, com roteiro de Goddard baseado em história do também cineasta francês François Truffaut, Acossado acompanha os personagens Michel Poiccard e Patricia Franchisi. Após roubar um veículo e matar um policial, Michel, vivido por Jean Paul Belmondo, passa a ser perseguido pela polícia e por isso, precisa se manter escondido. Ao lado da jovem americana Patrícia, personagem de Jean Seberg, o aventureiro cometerá outros delitos, ao mesmo tempo em que viverá um romance incomum, sempre na tentativa de conquistá-la e convencê-la a partir com ele para a Itália.

O longa traz às telas uma direção inovadora. Alguns exemplos são a montagem com cortes em momentos inesperados, que dão a sensação de descontinuidade; a fala de Michel em direção ao espectador; e as tomadas demoradas de Patrícia em close enquanto ouvimos a voz do parceiro Michel, fora de quadro. O filme ainda faz menção ao cinema americano, como nos momentos em que Michel passa o dedo nos lábios em referência ao ator Humprey Bogard.

Michel e Patricia são personagens que fogem do estilo conservador. Ele, constantemente envolvido em trapaças, parece não se preocupar muito com as consequências de seus atos. Ela, aspirante à carreira de jornalista e vendedora de rua do New York Herald Tribune, inova na aparência e atitudes. Usa cabelos curtos, dispensa o uso de sutiã e admite já ter se relacionado com sete homens diferentes. Desta maneira, em relação aos seus antecessores no cinema, Acossado inova não apenas na técnica, mas na temática ousada quanto a comportamento e postura diante da vida, como nas indagações sobre a morte, a tristeza e o nada.

O filme, vencedor do prêmio Urso de Prata em Berlim, foi indicado também ao Urso de Ouro e ao BAFTA de melhor filme estrangeiro. Em 1983, Acossado ganhou uma refilmagem nos Estados Unidos com o título A força do amor, estrelado por Richard Gere.

Por Rafaella Arruda
(Programa Cinema e Som - ELOFM)


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Programa Cinema e Som - Rocky, Um Lutador

Escrito e estrelado por Silvester Stallone, com direção de John Avildsen, o filme Rocky, Um Lutador, lançado em 1976, trata da vida de Rocky Balboa, um boxeador sem grandes ambições, de vida simples e com grande coração. Antes de ser um filme sobre boxe, é um drama sobre o homem comum, com suas fragilidades e sonhos. 

Sem grandes perspectivas na vida, Balboa vive sozinho, faz bicos para um agiota e busca conquistar Adrian, uma tímida vendedora de pet shop, irmã de seu melhor amigo Paulie. A oportunidade de mudar de vida surge quando o campeão mundial dos pesos médios, Apollo Creed, anuncia publicamente a intenção de enfrentar algum boxeador desconhecido do grande público. Na verdade, uma grande jogada de mídia. O Garanhão Italiano, nome de Balboa nos ringues, é o adversário escolhido. A disputa com Apollo é a chance de Rocky se sentir novamente um vencedor. Caberá a ele, com a ajuda do amigo e treinador Mickey, se preparar para a disputa com toda a garra e coragem possíveis. 

No elenco do filme, Talia Shire como Adrian, Burt Young, como Paulie, Burgess Meredith, como o incansável treinador de boxe, Mickey, e Carl Weathers como o campeão Apollo Creed. Rocky conquistou as premiações do Oscar e Globo de Ouro de melhor filme, além de melhor direção e montagem pela Academia. Indicações também para Stallone como roteirista e ator, feito alcançado anteriormente apenas pelos cineastas Charles Chaplin e Orson Welles. A produção coube a Robert Chartoff e Irwin Winkler, os mesmos que 4 anos depois realizariam Touro Indomável, outro filme de sucesso sobre a vida de um boxeador. 

Rocky, um Lutador, foi o primeiro de uma sequência de outros 5 filmes sobre o personagem. Em 2006, o drama Rocky Balboa, escrito, dirigido e estrelado por Silvester Stallone, fechou a franquia. 

A canção Gonna Fly, trilha de Rocky, Um Lutador é composta por Bill Conti, com letra de Carol Connors e Ayn Robbins, e interpretada por Deetta West e Nelson Pigford. Sempre embalando os árduos treinamentos de Rocky para as lutas, a melodia tornou-se um ícone cultural, foi indicada ao prêmio de melhor canção original no Oscar de 1977 e alcançou o nº 1 das paradas da Billboard no mesmo ano. Em Rocky, Um lutador, a música encerra-se com a subida do boxeador às escadas do Museu de Arte da Filadélfia, cena que se tornaria emblemática nas continuações do filme.

Algumas alterações na versão original da canção podem ser notadas nos demais filmes da série Rocky, como o acréscimo do coro de crianças em Rocky II. A melodia de Bill Conti fez tamanho sucesso, que foi usada como trilha em outros filmes, propagandas publicitárias, programas de rádio, campanha política, e é ainda hoje usada em eventos esportivos.

Por Rafaella Arruda

(Programa Cinema e Som - ELOFM)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Programa Cinema e Som - Touro Indomável

Touro Indomável - Clássico norte americano de 1980 considerado uma das referências do cinema da década. O longa, com direção de Martin Scorsese e produção de Robert Chartoff e Irwin Winkler, conta a história real do lutador de boxe Jake La Motta. O roteiro é de Paul Schrader e Mardik Martin, baseado em livro escrito pelo próprio La Motta, além de Joseph Carter e Peter Savage.

Touro Indomável é protagonizado por Robert De Niro no papel do pugilista peso médio Jake La Motta, que colecionou grandes vitórias nos ringues e uma vida pessoal repleta de desregramentos e problemas emocionais. Para interpretar o touro do Bronx, como era conhecido La Motta, Robert De Niro treinou boxe com o próprio pugilista, além de ter engordado 25 quilos para interpretá-lo após o fim de sua carreira de lutador.

Filmado em preto e branco, de forma a garantir maior realismo às cenas, Touro Indomável foi premiado com o Oscar de melhor ator para De Niro e melhor edição para Thelma Schoonmaker, além de ter sido indicado pela Academia em outras seis categorias, assim como pelo Globo de Ouro. O filme, considerado por parceria Scorsese e De Niro, tem ainda no elenco Cathy Moriarty, interpretando a mulher do lutador, Vicky La Motta, e Joe Pesci como Joey La Motta, irmão do pugilista. Ambos indicados ao Oscar e Globo de Ouro nas categorias de ator coadjuvante.

A trilha sonora, com edição de Jim Henrikson, alterna trechos da ópera Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, com canções populares, como a brasileira Não tenho lágrimas, de 1937, interpretada por Patrício Teixeira.

Por Rafaella Arruda


(Programa Cinema e Som - ELOFM)